13 outubro 2006

Que o giro supere a margem...

De novo o WiMax, mostrando que vem aí com a força de um furacão. Resta saber se a prometida queda dos custos de instalação e manutenção desta rede se refletirá em menores preços de conexão para o consumidor.
 
A lógica diz que esse é desenrolar natural, dado a competição com as conexões por fio que já estão instaladas e amortizadas nas principais praças do país. Mas, as vezes, a lógica não é suficiente para superar a ambição burra, a competição cega e a incerteza. Querem um exemplo: olhem o custo dos serviços de dados nas operadoras de celular brasileiras.
 
Temos um gigantesco problema de distribuição de renda, com pequeno potencial de retorno por cliente. A grande maioria dos planos são pré-pagos e trazem uma contribuição apenas marginal para o lucro dos operadoras. A grande maioria dos celulares é simples demais para utilizar qualquer serviço de dados que agregue valor real a vida do usuário. Resultado: os serviços digitais são relativamente inúteis, utilizados por poucos e percebidos como caros. É a margem sobrepondo-se ao giro, criando um produto de luxo.
 
Mas serviços de dados são, por definição, serviços de massa. O valor da rede se amplia a medida que mais pessoas a utilizam. Os serviços serão percebidos com úteis a medida que mais pessoas os utilizem no dia-a-dia. É neste momento que eles se tornam necessários, e não supérfluos. A forma que temos hoje para incentivar o uso é baixar o preço, controlado pelas operadoras. Mas o tempo passa e o preço não cai... então o uso não sobe, o valor não aparece, e as promoções de celular a R$ 100 dominam o mercado. Prejuizo para todos.
 
Vamos esperar que o bom senso vença e que o giro supere a margem!

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