14 julho 2007

A questão ética

O Spam é o principal problema ético do marketing na Internet. Todos sabem que é prejudicial. Irrita os possíveis clientes (e principalmente os não clientes), aumenta a vulnerabilidade dos sistemas em geral e congestiona o tráfego na rede, piorando o serviço de todos. E por que? Porque alguns poucos (e são poucos mesmo) "marketeiros" querem vender um pouco mais.

O verdadeiro problema é que o spam funciona. Como o custo de produção do spam é baixo e o de envio tende a zero, é relativamente fácil ter algum lucro enviando a mensagem publicitária para milhões de endereços diferentes. O retorno por cliente enviado é irrisório, mas o retorno por real investido é significativo.

Isso significa um incentivo financeiro sobre o abuso do direito de uso da internet, em detrimento do bem maior, coletivo, do uso da totalidade de usuários da rede. Claramente uma questão ética que logo se tornará questão de polícia.
Comitê Gestor da Internet no Brasil vai propor projeto de lei para combate a spams - O Globo Online
O que chama a atenção na reportagem acima é que praticamente todos os spams enviado ao Brasil vem de dois países, Taiwan e China, que não coibem a prática, apesar de diversos protestos internacionais. É um problema conhecido de desrespeito as boas práticas de comércio internacional. As medidas técnicas para inibir a prática até existem, mas sua eficácia é baixa e sempre envolve algum tipo de "censura", bloqueando endereços de uma certa procedência ou outro critério de restrição.

Na verdade, não funciona porque para cada bloqueio efetuado, o spammer passará a usar algum outro endereço não bloqueado. Tudo acaba se resumindo a uma caça de gato e rato.

A questão é como acabar com o incentivo econômico do envio do spam. No fundo, enfrentamos o mesmo problema quando queremos impedir uma fábrica de poluir um rio... o "prejuízo" do rio é dividido por todos na sociedade enquanto o lucro da fábrica fica para seu proprietário.

É a velha questão ética do bem maior versus o lucro de poucos. Apesar do foco das atenções se desviar cada vez mais para práticas éticas de negócio, ainda temos um longo caminho a percorrer para encontrar uma solução.


Powered by ScribeFire.

Nenhum comentário: